Pandemia: 55% dos países subestimaram mortes por Covid-19

Acelino Silva
Pandemia: 55% dos países subestimaram mortes por Covid-19 | Notícias

A recente pesquisa realizada por especialistas em ciências sociais de Londres e Jerusalém trouxe à tona informações alarmantes sobre a verdadeira extensão da tragédia causada pela pandemia de covid-19. Os pesquisadores Moses Shayo e Ariel Karlinsky, ambos com foco em economia política e da saúde, compilaram um vasto conjunto de dados de “mortalidade por todas as causas” de 134 países e territórios, comparando dados pré-pandemia com os do auge da crise em 2020 e 2021. Surpreendentemente, eles descobriram que entre 45% a 55% dessas nações subestimaram o número de mortes por covid-19, muitas vezes minimizando a gravidade da situação.

Contextualizando a Pesquisa

Shayo e Karlinsky utilizaram dados concretos, muitos obtidos por jornalistas locais através de leis de liberdade de informação, e compararam-nos com as declarações oficiais dos governos durante a pandemia. A análise revelou que, enquanto os relatórios oficiais contabilizavam cerca de 5,08 milhões de mortes por covid-19, a realidade apontava para um número superior a 12,47 milhões de mortes relacionadas ao vírus.

A Manipulação dos Dados

Os pesquisadores afirmam que a manipulação dos dados foi “notavelmente disseminada e de grande magnitude”. Em 62 países onde as mortes por covid-19 foram subestimadas, descobriram que autocratas informacionais conseguiram evitar registrar, em média, 14,5% das mortes esperadas por covid-19. Essa disparidade sugere não apenas falta de recursos mas também um esforço deliberado para ocultar o impacto real da pandemia.

Fatores Contribuintes

A pesquisa publicada no *Journal of Economic Growth* detalha os motivos pelos quais um país pode ter subestimado suas mortes por covid-19. Enquanto muitos países enfrentaram desafios logísticos, como diagnósticos médicos insuficientes e falta de pessoal, os pesquisadores também identificaram uma correlação preocupante que indica esforços premeditados para minimizar o impacto da pandemia. Shayo e Karlinsky desenvolveram uma métrica de “sofisticação do público” baseada em dados sobre a educação e o acesso à internet dos adultos, junto com informações do Índice de Educação do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. Essa métrica, quando analisada em conjunto com os sistemas de controle e balanço de poder em cada governo, refletiu a escala de subnotificação das mortes por covid-19.

Conclusão

Embora não tenham afirmado causalidade direta, Shayo e Karlinsky sugerem que a precisão dos relatórios sobre covid-19 está fortemente associada às restrições sobre a capacidade do governo de manipular informações. Eles observaram que, em países onde as políticas institucionais são mais benignas, pode haver uma tendência de erros repetidos em mortes ambíguas, resultando em registros inconsistentes. Além disso, notaram que a subnotificação foi maior em países com eleições durante a pandemia, indicando um possível viés político na apresentação dos dados. Esta pesquisa lança luz sobre a necessidade de uma maior transparência e responsabilidade dos governos ao lidar com crises de saúde pública, bem como a importância de um público informado e de mecanismos de controle eficazes para evitar manipulações de informações que possam agravar ainda mais a situação.

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