No meu primeiro contato com a nova arte do remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, minha reação inicial foi de surpresa: “Estamos vendo demais”. Essa foi minha primeira impressão, mas não a primeira reação. O que senti de imediato foi um turbilhão de emoções. Quando um personagem familiar apareceu no trailer, fiquei tão impactado que me afastei da tela sem nem perceber. Mas logo o pensamento “Estamos vendo demais” voltou à minha mente. Por que isso parecia tão estranho, tão fora do lugar? Me lembrei do original Ocarina, com suas paisagens de triângulos e pirâmides visíveis, os rostos dos personagens como coleções de polígonos, quase como aqueles jogos de adivinhação de papel que fazíamos na escola.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time – Demonstração de Jogabilidade de Mr. Aonuma
Um Choque de Estética e Tecnologia
Pode ser que a minha reação ao novo Ocarina – esquisito! errado! – esteja ligada a isso. A estética do jogo foi separada da tecnologia original, e o mundo do N64 agora estava soterrado sob o poder gráfico do Switch 2. Muitos detalhes. Grama ondulante demais e chuva caindo nos rostos. Era como estar em uma cena do Rainforest Cafe nos bosques do jogo. De repente, estávamos vendo demais.
Essa linha de raciocínio foi inspirada por um artigo brilhante de Gareth Damian Martin sobre o remake de Shadow of the Colossus. Mas algo curioso aconteceu: alguns minutos depois, assisti novamente ao trailer do novo Ocarina e ele não parecia tão estranho. Os rostos dos personagens ainda eram um pouco esquisitos, mas o resto.. é realmente tão estranho assim?

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Reações e Reflexões
Quando mostrei o trailer para minha esposa, que é uma grande fã do Ocarina original, sua reação inicial foi parecida com a minha. Ela disse que era como assistir Friends em uma tela 4K moderna: não queria ver os rostos dos personagens em tanto detalhe. Entretanto, minha percepção havia mudado. Conversei com algumas pessoas sobre a nova arte e algumas até gostaram. Era estranho, mas o estranho pode ser bom. O estranho pode ser bom para Zelda.

Estou tentado a argumentar que o importante é que minha percepção da arte continua mudando – e tenho certeza de que não estou sozinho nisso. Nossas sensações sobre a aparência de qualquer jogo parecem bastante mutáveis. Dependem de onde estamos no jogo, do que trazemos para ele, de quanto tempo tivemos para nos adaptar, entre outras coisas. E essa questão do tempo de adaptação ao jogo é algo que penso muito, especialmente em relação à arte. Quanto mais envelheço, mais comecei a ver a experiência de jogar como uma espécie de alucinação induzida. Isso tem a ver com a forma como o ato de jogar se mistura com a memória de jogar que está ajudando a criar. E é essa memória de jogar que, no fim das contas, dura muito mais tempo.
Se a memória é algo, bem, é mutável. Altera-se ao longo do tempo. Os rostos dos personagens no Ocarina original eram realmente coleções de polígonos? É minha memória, e não a realidade, que deu ao Link do N64 uma espécie de bico amigável em vez de um nariz?
Conclusão
Hoje de manhã, acordei e assisti ao trailer novamente. Vi mais vivacidade e menos estranheza. Ele já parecia vagamente familiar, misturando elementos de Breath of the Wild e outros jogos da série, enquanto reencenava sequências que eu conhecia intimamente de Ocarina of Time. Agora, ele parecia..? Parecia, acho, como uma descrição de um sonho que tive, exceto que o sonho era meu e a descrição era de outra pessoa.