Recentemente, um streamer da Twitch entrou com uma ação coletiva contra a plataforma e sua empresa-mãe, a Amazon, alegando que suas transmissões, bem como as de inúmeros outros criadores, foram usadas para treinar modelos de inteligência artificial generativa sem consentimento ou pagamento. De acordo com o Courthouse News, o autor da ação, Warren Pandiscia, um criador da Twitch com cerca de mil seguidores, protocolou sua queixa de 37 páginas no Distrito Norte da Califórnia na semana passada.
Entenda a Acusação
A alegação principal é que a Twitch e a Amazon teriam copiado grandes quantidades de conteúdo de streamers sem obter as licenças adequadas, violando os acordos implícitos com a plataforma e infringindo as leis estaduais de concorrência desleal. A Twitch anunciou, no início deste mês, que começaria a treinar modelos de IA generativa na plataforma, o que gerou forte oposição da comunidade de streamers. A demanda mais comum entre os usuários foi que esses recursos de IA fossem opcionais.
Reações da Comunidade
Os streamers questionaram por que a funcionalidade estava ativada por padrão, obrigando-os a acessar as configurações para desativar o treinamento de IA generativa. O diretor de produto, Mike Minton, respondeu de forma surpreendentemente franca, afirmando que “se fosse opt-in, ninguém optaria por isso. Então, vai estar ativado por padrão, e quase todos os serviços de conteúdo no mundo estão ativados por padrão”.
Minton acrescentou: “A coisa que estamos fazendo aqui, que é única, é respeitar seus desejos de optar por não participar do treinamento do modelo. Sei que isso não é popular, sei que é muito perturbador para a comunidade, mas é onde estamos.”
Detalhes da Ação
A nova ação judicial ocorre após a própria admissão da Twitch, feita via post no X em 12 de agosto, de que usa conteúdo de criadores, incluindo transmissões, clipes passados, registros de bate-papo e fotos, para treinar os modelos de IA da Amazon. Crucialmente, a opção de exclusão não é retroativa e não é universal, sendo vinculada a canais individuais, não a contas. Isso significa que um streamer que optar por não participar ainda pode ter seu conteúdo usado se aparecer em uma transmissão de outro canal que não tenha feito a mesma escolha.
Pandiscia afirma que não tinha motivos para suspeitar que seu conteúdo estava sendo usado dessa forma, optou por sair assim que a configuração foi disponibilizada, e argumenta que as empresas estavam usando silenciosamente o conteúdo dos streamers para treinamento de IA desde 2024, antes de qualquer mecanismo de divulgação ou exclusão estar em vigor.
Posição da Amazon e Impactos
Até o momento, nem a Twitch nem a Amazon responderam ao pedido de comentário do Courthouse News. A Amazon adquiriu a Twitch em 2014 por cerca de 970 milhões de dólares. Essa abordagem para adotar a IA generativa impactou outras partes da empresa também. O Amazon Game Studios, antes de demissões em massa que esvaziaram o desenvolvedor, estava trabalhando em um jogo de IA generativa que acabou sendo cancelado quando todos os desenvolvedores foram dispensados.
Conclusão
A situação levanta questões importantes sobre os direitos dos criadores de conteúdo e como suas produções são utilizadas por grandes corporações para fins de treinamento de IA. A resposta da Twitch e da Amazon a essas alegações será crucial para moldar o futuro do uso de IA na criação de conteúdo digital e o relacionamento da plataforma com sua comunidade de criadores.