Microsoft Copilot e a Exposição de Dados: Um Problema de Segurança Subestimado
Entre 21 de janeiro e meados de fevereiro, o Microsoft Copilot inadvertidamente leu e resumiu e-mails confidenciais, ignorando rótulos de sensibilidade e políticas de prevenção de perda de dados (DLP). Este incidente revelou uma falha significativa nos pontos de aplicação dentro da própria infraestrutura da Microsoft, passando despercebido por ferramentas de segurança.
O Impacto da Falha e a Reação da Microsoft
Entre as organizações afetadas estava o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, que registrou o incidente como INC46740412, indicando a profundidade do problema em ambientes de saúde regulamentados. Microsoft denominou o problema como CW1226324. Este é o segundo incidente em oito meses onde o pipeline de recuperação do Copilot violou sua própria barreira de confiança.
O Primeiro Incidente e a Vulnerabilidade EchoLeak
Em junho de 2025, a Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade crítica conhecida como EchoLeak. Esta falha permitiu que um e-mail malicioso, sem necessitar de ações dos usuários, exfiltrasse dados empresariais ao contornar diversas medidas de segurança do Copilot. O problema foi atribuído a uma pontuação CVSS de 9.3, destacando sua gravidade.
Por que as Ferramentas de Segurança Não Detectaram a Falha
Tradicionais ferramentas de segurança, como EDR e WAF, não foram projetadas para detectar falhas dentro dos pipelines de recuperação de LLM, como o Copilot. O erro de caminho de código permitiu que mensagens rotuladas fossem processadas indevidamente, sem que qualquer alerta fosse gerado.
A Flaw de Design Subjacente
Pesquisadores da Aim Security identificaram uma falha de design fundamental, onde agentes processam dados confiáveis e não confiáveis de forma integrada, tornando-os vulneráveis à manipulação. Mesmo após a correção da EchoLeak, a falha CW1226324 mostrou que o erro de aplicação pode ocorrer independentemente.
A Importância de uma Auditoria de Segurança Abrangente
Os incidentes passaram despercebidos até a Microsoft publicar um aviso. Para mitigar futuros riscos, as organizações devem considerar implementar uma auditoria de cinco pontos:
- Testar a Aplicação DLP: Verifique se o Copilot respeita rótulos de sensibilidade em mensagens enviadas e rascunhos.
- Bloquear Conteúdo Externo: Impedir que e-mails maliciosos cheguem ao contexto do Copilot.
- Auditar Logs do Purview: Identificar interações anômalas do Copilot durante o período de exposição.
- Ativar Descoberta de Conteúdo Restrito: Remover sites do pipeline de recuperação do Copilot.
- Criar um Playbook de Resposta a Incidentes: Definir caminhos de escalonamento para violações dentro do pipeline de inferência do fornecedor.
Conclusão: Lições Além do Copilot
O cenário de segurança cibernética está evoluindo rapidamente, com 47% dos líderes de segurança já observando comportamentos indesejados de assistentes de IA. A implementação de assistentes de IA em produção sem governança adequada pode resultar em riscos significativos, não apenas para o Copilot, mas para qualquer ferramenta que acesse dados empresariais internos. A execução de auditorias proativas e o reforço das medidas de segurança são críticos para evitar futuros incidentes silenciosos.
