Lachy Groom, um renomado investidor solo, está apoiando uma startup em Bengaluru que busca alcançar um feito audacioso: manter uma aeronave no ar por mais de um ano utilizando a energia dos ventos oceânicos. A Alteon, fundada pelo jovem de 20 anos Samay Sanghvi, anunciou na terça-feira que levantou US$ 2,5 milhões em uma rodada pré-seed liderada por Groom, com participação do Together Fund, para desenvolver aeronaves autônomas inspiradas na técnica de voo dinâmico, que os albatrozes usam para extrair energia do vento. Sanghvi explicou ao TechCrunch que Groom decidiu investir na startup nos primeiros 30 minutos de seu encontro inicial. Enquanto aeronaves convencionais dependem de combustível ou baterias para voar, a Alteon busca romper essa barreira ao projetar pequenas aeronaves autônomas de asa fixa que conseguem extrair energia do cisalhamento do vento sobre o oceano. Esta técnica, conhecida como voo dinâmico, permite que a aeronave se mova repetidamente entre camadas de ar que se deslocam em velocidades diferentes.
O Potencial da Aviação Sustentável
Sanghvi afirmou que, ao construir aeronaves capazes de permanecer no ar por mais de um ano, inúmeras possibilidades se abrem. Inicialmente, a Alteon pretende utilizar essas aeronaves para vigilância marítima, oferecendo aos governos uma visão em tempo real das atividades em suas águas territoriais. O plano é desenvolver uma aeronave com envergadura de cerca de três metros, que voará próxima à superfície do oceano, subirá e fará curvas através de correntes de ar mais rápidas, repetindo o ciclo para captar energia do vento. Eventualmente, a Alteon pretende utilizar hélices como turbinas para converter parte dessa energia em eletricidade, recarregando suas baterias a bordo.
Desafios e Progresso
Apesar de promissora, a startup ainda precisa demonstrar que suas aeronaves podem realmente sustentar o voo utilizando a energia captada através do voo dinâmico. Recentemente, completaram um teste bem-sucedido de seu sistema de voo autônomo sobre a Baía de Bengala, onde a aeronave concluiu sete ciclos em forma de “O” a mais de 100 km/h, voando a menos de um metro da superfície da água. O próximo grande marco para a Alteon será o que Sanghvi chama de “voo dinâmico energeticamente neutro”. Isso permitirá que a aeronave voe continuamente com a propulsão desligada, extraindo energia suficiente do vento para permanecer no ar. O Dr. Gabriel Bousquet, engenheiro aeroespacial e de robótica baseado no Vale do Silício, considerou o voo de baixa altitude sobre a água um “resultado inicial promissor”. No entanto, ele destacou que o verdadeiro desafio será provar que a aeronave pode extrair energia suficiente dos ventos reais para sustentar o voo por longos períodos. Voar baixo o suficiente para captar essa energia com segurança é particularmente difícil, pois a aeronave precisa lidar com turbulências, ondas, spray, chuva e condições de luz mutáveis, enquanto reage continuamente a uma superfície oceânica em movimento.
Desafios Técnicos e Expectativas Futuras
Dr. Bharath Swaminathan, que obteve seu doutorado no IIT Madras estudando a estabilidade do voo dinâmico, afirmou que a física subjacente é bem estabelecida e elogiou o esforço da Alteon. Manter uma aeronave no ar por vários dias utilizando voo dinâmico já seria “um grande passo e uma grande conquista”, disse ao TechCrunch. Swaminathan advertiu que, embora as condições de vento em grande escala possam ser previsíveis, o cisalhamento local do vento e a turbulência podem variar significativamente, complicando a capacidade da aeronave de extrair energia do vento continuamente. Alguns desses desafios, ele sugeriu, podem só emergir através de testes de voo no mundo real. Groom reconheceu os riscos técnicos envolvidos neste empreendimento. “Problemas ambiciosos sempre virão acompanhados de riscos”, disse ao TechCrunch. “Para mim, tudo se resume a acreditar que Samay e a equipe da Alteon são capazes de resolvê-los.” Sanghvi começou a trabalhar no que se tornaria a Alteon logo após o ensino médio em 2023, aprendendo a construir aeronaves ao fazer — e destruir — modelos controlados por rádio antes de desenvolver os primeiros protótipos. Formalmente fundada em 2025, a Alteon recebeu apoio inicial da Emergent Ventures e da 1517., a startup conta com uma equipe de 20 pessoas em Bengaluru e opera em uma instalação de 900 metros quadrados. A empresa está construindo de quatro a cinco aeronaves por semana para testes e já realizou mais de 200 voos de teste nos últimos 30 dias, relatou Sanghvi.
Conclusão
A missão da Alteon de desenvolver aeronaves que possam voar por mais de um ano utilizando apenas a energia dos ventos oceânicos é um desafio técnico ousado, mas com potencial de revolucionar a vigilância marítima e outras aplicações. Com o apoio de investidores visionários e uma equipe dedicada, a startup está bem posicionada para enfrentar os desafios e realizar seu ambicioso objetivo. À medida que a tecnologia avança e os testes no mundo real se intensificam, o mundo estará observando para ver se a Alteon pode transformar sua visão inovadora em realidade.