Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha: Estreia marcada e promissora do novo longa de Janaína Marques

Acelino Silva

Filme nacional conquista o público na Berlinale

Após uma estreia em grande estilo na 76ª edição do Festival de Berlim, onde recebeu o Tagesspiegel Readers Jury Award na seção Forum, Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha agora se prepara para conquistar os corações brasileiros. O longa, que é a estreia da cineasta Janaína Marques, acaba de ser selecionado para a Competição Brasileira de longas-metragens do 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, programado para ocorrer de 4 a 13 de junho.

Uma viagem pelo subconsciente

O filme traz como protagonista Rosa, interpretada por Verônica Cavalcanti. Em uma trama marcada pela complexidade emocional, Rosa se vê forçada a evocar uma lembrança feliz durante uma ressonância magnética. A dificuldade de acessar essa memória a leva a mergulhar em seu subconsciente e a recriar uma experiência que nunca viveu: uma travessia ao lado de Dalva, sua mãe irreverente, que ficou presa por anos após matar um homem prestes a cometer feminicídio.

A letra da canção “Sangue Latino”, eternizada na voz de Ney Matogrosso, se torna um mantra que acompanha a protagonista nesta jornada. Janaína Marques descreve a essência do filme como um espaço de liberdade onde Rosa pode olhar para sua história sem ser esmagada por ela. “O filme fala sobre esse gesto muito ancestral de fabular para sobreviver”, explica a diretora. “É sobre transformar trauma em travessia e imaginação em cura.”

Expectativas para a estreia comercial

Com uma estreia comercial confirmada para setembro, a cineasta se mostra emocionada com a possibilidade de finalmente apresentar a história de Rosa e Dalva ao público brasileiro. “Estou muito curiosa para saber como o público brasileiro vai receber essa história tecida pelo afeto e pela sororidade”, afirma Janaína. A recepção do filme no festival de Curitiba é especialmente significativa, considerando o impacto do cinema autoral e independente na cidade.

Críticas e recepção

A crítica tem destacado a obra por sua ousadia formal e profundidade emocional. O site Cinema com Crítica descreveu o filme como um processo de cura, ressaltando a energia de Luciana Souza, que é considerada um “acontecimento” na tela. Já o Meio Amargo definiu o longa como “arejada, fluida, orgânica”, apontando sua força como um raro feel good movie de estrada no cinema brasileiro contemporâneo. Esse reconhecimento demonstra a relevância do filme no cenário atual, onde o cinema nacional busca cada vez mais narrativas que abordem temas sensíveis e complexos.

Patrocínio e apoio ao cinema brasileiro

Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha é uma produção da Moçambique Audiovisual e da Delírio Filmes, contando com o patrocínio do Governo do Ceará através da Secretaria da Cultura, com recursos da Lei Aldir Blanc, além do apoio do BNDES. Marina Moreira, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, destaca que o filme discute temas atuais como os efeitos da violência contra a mulher e a força que atravessa gerações, ressaltando a importância de iniciativas que promovam a transformação social através da arte.

Horários e informações das sessões no Olhar de Cinema

Os interessados em conferir a obra no Olhar de Cinema podem anotar as sessões:

  • 12 de junho | 21h00 | MON – Poty Lazzarotto
  • 13 de junho | 14h50 | Cine Passeio Ritz

Com uma narrativa que promete tocar fundo na alma, Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha é um filme que não apenas entretém, mas também provoca reflexões profundas sobre memória, afeto e a capacidade de reinventar nossas histórias. A espera pela sua estreia comercial em setembro já é uma realidade para os amantes do cinema nacional.

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