Reflexões sobre Documentários: Melania e Tony Blair

Horácio T

Reflexões sobre Documentários Políticos: Melania e Tony Blair

Um Olhar sobre Melania Trump

Recentemente, assisti a dois documentários políticos que, apesar de retratarem figuras polarizadoras e de estarem ligados a grandes centros de poder, divergem bastante em sua abordagem. O primeiro deles foca em **Melania Trump**, a Primeira Dama dos Estados Unidos, e foi criticado por muitos, mas decidi dar uma chance.

O cinema em Melbourne onde assisti estava quase lotado, com uma plateia majoritariamente feminina, provavelmente tão curiosa quanto eu sobre o que se esconde sob aquele famoso chapéu. Desde os créditos iniciais, percebi que o filme, financiado pela Amazon, tem Melania como protagonista e produtora. Isso se torna evidente ao longo de 15 minutos em que ela discute, com estilistas, os ombros de seu traje de posse, levando qualquer espectador a questionar a profundidade da narrativa.

A maior parte do documentário se concentra em suas **altas sandálias** — seja saindo de limusines ou entrando em seu luxuoso apartamento na Trump Tower. A análise iconográfica é intrigante, mas há um problema: ícones não suportam um exame minucioso. Assim como o valor de um carro despenca assim que sai da concessionária, a presença de Melania se torna menos impactante ao longo dos 104 minutos de filme. Embora seja um estudo visual interessante, chamá-lo de documentário parece exagerado; “um clipe de Robert Palmer em formato longo” seria uma descrição mais justa.

A Proposta de Documentários Acessíveis

Nos últimos tempos, temos visto uma série de documentários que oferecem acesso total a figuras públicas, como os Beckham, Cristiano Ronaldo e Taylor Swift. O modelo é claro: as câmeras têm liberdade total, desde que tudo o que se diga seja apenas elogios. Entretanto, ao se tratar de Melania, que está tão próxima do centro político, a expectativa é de uma responsabilidade maior.

Infelizmente, do início ao fim, não há espaço para questionamentos ou reflexões críticas. O máximo que ouvimos é a avaliação de seu marido, que a descreve como “difícil, mas única”. Não há indícios de como ela concilia sua busca pelos direitos das pessoas com as decisões de seu esposo, ou mesmo de como se vê como feminista apenas por estar ao lado dele.

A Contraposição com Tony Blair

Em contrapartida, o documentário “The Tony Blair Story”, transmitido pelo Channel 4, não conta com Blair como produtor executivo, o que significa que ele não teve controle editorial sobre o conteúdo. Em vez disso, ele é apenas um dos muitos que contribuem para a narrativa, incluindo familiares e figuras políticas que compartilham suas visões sobre sua trajetória.

Neste documentário, que dedica uma hora a sua ascensão e ao sucesso em transformar o Partido Trabalhista, há duas horas voltadas para a guerra no Iraque e sua saída do governo. Críticos como Jeremy Corbyn e Clare Short não economizam críticas, enquanto Blair responde a perguntas diretas, mesmo aquelas que começam com “Agora, seja honesto comigo…”. É um conteúdo desconfortável, mas necessário, que realmente merece o título de documentário.

Conclusão

Enquanto o filme sobre Melania é uma experiência visual intrigante, ele falha em oferecer uma reflexão profunda ou crítica, tornando-se mais um espetáculo do que um verdadeiro documentário. Já a narrativa de Tony Blair, embora desconfortável, traz à tona questões essenciais e provoca uma discussão real sobre seu legado. Em tempos de tanta polarização, esses documentários nos convidam a refletir sobre o que realmente significa contar a história política de alguém.

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Redator e apaixonado por cultura pop em geral.