Alerta: Superfungo Trichophyton indotineae se Espalha Globalmente | Notícias
Pesquisas recentes revelam que um fungo emergente, capaz de causar infecções de pele difíceis de tratar, está se espalhando globalmente. Cientistas na Europa analisaram dados de laboratórios em inúmeros países e descobriram um aumento significativo nas identificações do fungo Trichophyton indotineae desde 2022. Conhecido por provocar casos mais graves de micose, o fungo frequentemente resiste aos medicamentos comuns. “Nossos resultados revelam um aumento global acentuado no isolamento de T. indotineae”, escreveram os autores no artigo publicado na revista Emerging Infectious Diseases no mês passado.
Micose é um termo genérico para infecções fúngicas que deixam uma erupção circular na pele, mas não têm nenhuma relação com vermes. Dependendo do local afetado, a micose pode ter diferentes nomes, como “frieira” nos pés ou “coceira de atleta”. Geralmente, a transmissão ocorre pelo contato direto com a pele ou superfícies contaminadas, como pisos de chuveiros úmidos ou itens compartilhados, como toalhas. Cerca de 40 espécies de fungos podem causar micose, mas o recentemente descoberto T. indotineae tem se destacado como um dos mais preocupantes. Em comparação com outros tipos, este tende a provocar infecções severas e resistentes a medicamentos, além de se espalhar rapidamente, especialmente em regiões como a Índia.
Para entender melhor onde o fungo está aparecendo, os pesquisadores recorreram ao projeto Mass Spectrometry Identification (MSI). Esta técnica, chamada de espectrometria de massa, mede a razão massa-carga de moléculas específicas para ajudar a determinar sua identidade. O uso de espectrometria de massa, especialmente a versão que utiliza a técnica de ionização por dessorção a laser assistida por matriz, é um método eficaz e rápido para identificar germes fúngicos com base em seus espectros de massa.
Embora esta pesquisa não possa especificar quantas pessoas globalmente estão contraindo T. indotineae, ela revela que os laboratórios participantes do projeto MSI estão detectando o fungo com mais frequência. A disponibilidade de espectrômetros de massa ainda é limitada em algumas partes do mundo, como a África, e o número de usuários do MSI em regiões onde o T. indotineae foi documentado, como o Sudeste Asiático, ainda é pequeno. Isso significa que ainda sabemos pouco sobre a disseminação do fungo nessas áreas. Mesmo assim, os achados confirmam que o T. indotineae está em movimento global. A pesquisa também destaca a utilidade do projeto MSI para rastrear novos germes fúngicos, conforme já comprovado por médicos que verificaram a chegada recente do T. indotineae a países como Hungria e Brasil.
Os autores do estudo concluem incentivando os laboratórios de microbiologia a utilizarem o MSI para identificar dermatófitos, beneficiando tanto a saúde individual quanto pública. As autoridades de saúde devem abordar rapidamente essa questão internacional em evolução, associada a desafios terapêuticos. Além do T. indotineae, cientistas também alertam sobre outro fungo relacionado, que se espalha principalmente por contato sexual, causando infecções dolorosas. Infelizmente, o T. indotineae também pode ser transmitido sexualmente, ampliando ainda mais os desafios de saúde pública.
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