Quando Severance estreou, trouxe uma onda de esperança para o futuro da televisão. No entanto, essa expectativa pode estar prestes a mudar. Como especialista em séries de ficção científica e fantasia, percebo que as produções realmente originais são raras em um mar de reboots, remakes e sequências.
Não há nada de errado em aproveitar histórias conhecidas; sou fã de franquias como Marvel, Star Wars, Game of Thrones e Doctor Who. Entretanto, o que observamos nos últimos anos é uma verdadeira inundação de spin-offs. Muitas vezes, os estúdios hesitam em arriscar, optando por se apoiar em propriedades intelectuais já consolidadas. Afinal, se uma história já conta com fãs, é uma aposta segura, certo?
É inegável que, quando bem executados, os spin-offs podem resultar em grandes obras. Um exemplo disso é Andor, que expande o universo de Star Wars enquanto conta sua própria narrativa. Por outro lado, há inúmeras tentativas que não apenas falharam, mas também prejudicaram o legado das séries originais.
Quando Severance foi lançada em 2022, pensei que ela poderia quebrar o ciclo da obsessão por spin-offs. Com uma ideia original e o apoio de uma plataforma disposta a investir em algo inovador, a série rapidamente conquistou o público, não por campanhas publicitárias massivas, mas pela força do boca a boca.
Embora se possa argumentar que, para a Apple, esse não era um grande risco — afinal, com os recursos disponíveis, arriscar-se em ideias originais pode parecer menos arriscado —, o frescor de Severance foi inegável.
Recentemente, foi anunciado que a Apple adquiriu a propriedade total de Severance, assumindo o desenvolvimento de futuras temporadas. Segundo o Deadline, o showrunner Dan Erickson e o diretor Ben Stiller estão considerando a criação de spin-offs, prequels ou versões internacionais. Mas será que isso é realmente necessário?
Por que não deixar uma boa série em paz? A compulsão por desmembrar uma produção em mil iterações pode acabar diluindo sua essência e prejudicando o que a tornou especial. A resposta, como sempre, é financeira. Contudo, já não está claro que ideias originais, como Severance, são capazes de gerar lucro? Por que não usar esse sucesso como um sinal para investir mais em criações inéditas?
Embora eu aprecie Severance, não estou ansiosa para ver o que pode surgir de um possível spin-off, seja uma prequela centrada na origem de Kier Eagan, uma sequência sobre a vida de Mark após a Lumon, ou até mesmo uma sitcom estrelando as cabras da divisão Mammalians Nurturable (embora essa última ideia seja curiosa!).
Se continuarmos a ver Severance como um exemplo a ser seguido, corremos o risco de contribuir para o problema que a série parecia estar combatendo. Não sou completamente contra spin-offs; no entanto, são raras as séries que realmente se beneficiaram de suas extensões. É fundamental refletir antes de decidir que toda série de sucesso precisa se transformar em uma franquia.
Vince Gilligan, roteirista de Breaking Bad e criador do aclamado spin-off Better Call Saul, expressou essa preocupação ao comentar sobre a pressão da indústria em continuar investindo em propriedades conhecidas. Ele lamentou que as novas gerações estejam revivendo histórias que pertencem a suas avós, em vez de desfrutarem de narrativas novas e originais.
Esperamos que os responsáveis pelas decisões na indústria reconheçam essa demanda por frescor e inovação. A criatividade está presente, e o público está pronto para abraçá-la.
Severance está disponível para streaming no Apple TV. Aproveite para iniciar seu teste gratuito de sete dias. Para mais recomendações e análises de séries, escute o Radio Times Podcast e adicione Severance à sua lista de monitoramento no aplicativo Radio Times: What to Watch.
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