Quando se fala em críticos de cinema, poucos nomes são tão respeitados quanto o de Roger Ebert. Conhecido por suas análises perspicazes, Ebert não hesitou em expressar sua perplexidade em relação a alguns filmes durante sua carreira. Um exemplo notório é sua crítica ao filme de 1988, “The Good Mother”, um drama que uniu Liam Neeson e Leonard Nimoy.
“The Good Mother” é uma adaptação do romance homônimo de Sue Miller, que foi bem recebido literariamente. No entanto, a transição para as telonas não foi tão eficaz. Ebert descreveu o filme como “confuso e conflituoso”, uma obra feita com boas intenções, mas com um roteiro desastroso.
Dirigido por Leonard Nimoy, o filme tinha a pretensão de subverter visões sociais sobre tribunais civis e liberdade sexual. Contudo, o resultado final foi um drama estranho, onde Liam Neeson interpreta um personagem que se envolve em situações questionáveis com a filha pequena da protagonista, interpretada por Diane Keaton.
No filme, Diane Keaton é Anna Dunlop, uma professora de piano recém-divorciada, que tenta sustentar sua filha de seis anos, Molly. Ela se envolve com Leo Cutter, interpretado por Neeson, um escultor irlandês boêmio. A história, que poderia ser uma comédia romântica, rapidamente se transforma em um drama bizarro.
O filme tenta explorar uma filosofia sexual positiva na criação de filhos, mas falha em esclarecer seus pontos, especialmente quando cenas cruciais são deixadas de lado. Eventualmente, o ex-marido de Anna, Brian, entra com um processo de custódia e vence, sendo retratado como vilão por proteger a filha do que claramente é uma má influência.
Ebert, conhecido por sua aversão a vários filmes, incluindo alguns vencedores do Oscar, demonstrou mais perplexidade do que raiva ao criticar “The Good Mother”. Em sua análise, ele questionou se alguém realmente pensou a fundo sobre o enredo e qual mensagem o filme queria transmitir.
O drama de Nimoy parece projetado para pintar os protagonistas como vítimas de um sistema judicial hostil a ideias progressistas. No entanto, a narrativa centraliza-se em um homem estranho que se envolve em situações inapropriadas com a filha de sua namorada. Ebert destacou que a cena crucial que deveria esclarecer a trama estava ausente, enquanto o filme dedicava tempo a elementos supérfluos.
Mesmo em meio à confusão geral, Ebert elogiou uma cena específica onde Anna visita seus avós em busca de ajuda financeira para um advogado. Ele destacou como essa cena foi bem atuada e emocionalmente convincente, contrastando com a manipulação presente no restante do filme.
“The Good Mother” é um exemplo de como intenções nobres podem ser ofuscadas por uma execução pobre. A crítica de Ebert reflete uma frustração com a falta de clareza e direção do filme, que, em vez de promover uma discussão significativa, gerou confusão e desconforto entre o público.
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