Review Destruição Final 2 (Greenland 2)

Acelino Silva

Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration) chega aos cinemas como uma surpresa bem-vinda no universo dos blockbusters de desastres, trocando explosões nonstop por uma visão crua do que acontece depois do apocalipse. Anos após o cometa Ragnarok devastar a Terra no primeiro filme, a família Garrity enfrenta um mundo tóxico, fragmentos celestes imprevisíveis e o pior da natureza humana. Diferente de clichês como 2012 ou Geostorm, essa continuação mergulha nas consequências reais, misturando tensão familiar com dilemas éticos que lembram The Last of Us.

O Cenário Pós-Apocalíptico: Um Mundo Ainda em Colapso

Review Destruição Final 2 (Greenland 2)
Review Destruição Final 2 (Greenland 2) 9

Se você viu Greenland, lembra da corrida desesperada para os bunkers da Groenlândia enquanto o cometa se aproximava. O final sugeria esperança: sobreviventes se reconectando, reconstruindo uma nova civilização. Greenland 2: Migration subverte isso com brutal honestidade. A família Garrity – John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o filho Nathan (Roman Griffin Davis) – permanece confinada no bunker, mas a superfície é um inferno.

O ar é letal por radiação e poeira tóxica, tempestades violentas assolam o planeta, e fragmentos do cometa ainda caem do céu sem aviso. Pior: a humanidade não se uniu. Guerras por recursos, tiroteios e um “cada um por si” transformam estranhos em ameaças maiores que os desastres naturais. O filme introduz fenômenos novos, como tsunamis gigantes, mas o foco está na escassez global e no colapso social. É um retrato sombrio que ecoa produções como The Walking Dead, onde o fim do mundo revela o monstro dentro de nós.

Essa abordagem “pós-desastre” é rara no gênero. Filmes como Deep Impact ou Armageddon terminam com o herói salvando o dia; aqui, a pergunta é: e agora? Como sobreviver quando o planeta não perdoa erros?

A Família Garrity no Centro da Tempestade

O coração de Destruição Final sempre foi a dinâmica familiar, e a sequência mantém isso intacto. Gerard Butler volta como John Garrity, o engenheiro estoico que agora lida com traumas profundos – inclusive sessões com terapeutas nos bunkers, uma sacada genial que humaniza o herói de ação. Morena Baccarin brilha como Allison, equilibrando maternidade feroz e dilemas morais, enquanto Roman Griffin Davis amadurece como Nathan, o garoto diabético cuja condição adiciona camadas de tensão.

A migração começa quando os bunkers enfrentam falhas: suprimentos acabando, ar irrespirável. Os Garrity lideram uma caravana arriscada pela Groenlândia congelada, enfrentando bandidos, colapsos climáticos e dilemas como abandonar os fracos. Uma cena marcante mostra John negociando com sobreviventes hostis, destacando como a escassez destrói laços humanos. Diferente do primeiro filme, com aviões e estradas caóticas, aqui a jornada é a pé ou em veículos improvisados, ampliando o realismo gritty.

O filme não economiza em ação: perseguições em neve, emboscadas e um tsunami que engole tudo. Mas o que impressiona é o equilíbrio – explosões servem à história, não o contrário.

Temas Profundos: Humanidade, Trauma e Sobrevivência

Destruição Final 2 vai além do espetáculo com uma mensagem sutil sobre resiliência. Os bunkers priorizam terapeutas sobre cirurgiões, reconhecendo o trauma psicológico como ameaça tão letal quanto o clima. John em terapia não é piada; é o que impulsiona seu arco, questionando se vale salvar um mundo egoísta.

A narrativa critica o “mindset de escassez”: humanos matando por comida enquanto ignoram cooperação. Isso lembra The Last of Us, com seus infectados e moral cinzenta, mas trocando zumbis por nossa própria selvageria. O filme evita clichês piegas, entregando otimismo realista – sobrevivência vem de conexões, não de super-heróis.

Críticas apontam falhas: a família atrai “bons samaritanos” demais em um mundo cruel, e o diabetes de Nathan (pivotal no primeiro filme) é subaproveitado, com insulina “milagrosamente” disponível. Ainda assim, esses furos são perdoáveis; o estoque governamental faz sentido em um cenário de hoarding.

Comparação com o Primeiro Filme e o Gênero

Destruição Final (2020) foi hit na quarentena, com 70 milhões de views no Peacock, graças à urgência pandêmica. A sequência eleva a aposta, trocando evacuação global por migração local, mas mantém o foco familiar que diferenciava o original de San Andreas ou Into the Storm.

No panteão dos desastres, Greenland 2 se destaca por lógica e profundidade. Enquanto Geostorm é puro absurdo (satélites climáticos rebeldes!), aqui a geologia é plausível: fragmentos pós-impacto causam caos prolongado. Para fãs brasileiros de ficção científica, evoca O Dia Depois de Amanhã, mas com mais coração e menos hollywoodianismo exagerado.

Por Que Assistir Greenland 2: Migration Agora?

Lançada em dezembro de 2025, a sequência prova que desastres podem evoluir. Direção de Ric Roman Waugh mantém tensão sufocante, e o elenco entrega performances nuançadas – Butler menos “300”, mais vulnerável. Com 2 horas de ritmo alucinante, é ideal para maratonas familiares ou noites de streaming.

O filme acerta ao explorar “o depois”, questionando: reconstruímos ou nos destruímos? Em tempos de crises climáticas reais, a mensagem ressoa forte. Se você curte thrillers como Bird Box ou A Quiet Place, isso é essencial.

Destruição Final 2 não reinventa a roda, mas polui com maestria, entregando ação, emoção e reflexão em doses perfeitas. Uma joia rara que merece lotar as salas.

Do listening am eagerness oh objection collected solicitude so decisively unpleasing conviction is partiality he.

TAGGED:
Share This Article
Follow:
Sou um amante de séries, filmes, games, doramas, k-pop, animes e tudo relacionado a cultura pop, nerd e geek.