Olhares vazios e sorrisos nervosos revelam a pressão do tempo na busca por propósito. Em uma era onde a poligamia é discutida sem grandes abalos morais, a segurança afetiva no casamento é questionada. Esta reflexão, embora pareça moderna, é antiga. Quando Bradley Cooper questiona “Isso Ainda Está de Pé?”, ele nos convida a explorar nossa natureza egoísta. Se cada mente é um mundo, até onde estamos dispostos a permitir que outros entrem?
Will Arnett e Laura Dern estrelam como um casal de meia-idade que conquistou o sucesso: casa impecável, filhos saudáveis e o carro do ano. Ele, um agente financeiro bem-sucedido; ela, uma ex-atleta olímpica de vôlei. Apesar de tudo, algo falta. O brilho desapareceu porque “as coisas são assim”?
Bradley Cooper, em sua carreira como diretor, sempre trouxe sensibilidade à dramatização. Contudo, sua ambição por um Oscar gerou vícios de megalomania. Filmes como “Nasce Uma Estrela” e “Maestro” exemplificam essa tendência de forçar grandiosidade. No entanto, em “Isso Ainda Está de Pé?”, estrelado e co-escrito por Arnett, essa vaidade se dissipa, resultando em um trabalho puro.
O filme opta pelo intimismo ao invés do espetáculo. Planos fechados nos rostos dos atores e um jogo de foco revelam a confusão mental dos personagens. A decisão de deixar elementos fora da tela permite que o público crie seus próprios monstros a partir do silêncio. Cooper demonstra habilidade ao fazer uma comédia dramática ao estilo James L. Brooks, dominando ritmo e movimentos de câmera.
Neste filme, Cooper atinge a maturidade como diretor. Ele não tenta impor uma identidade, mas permite que o filme simplesmente seja. O casamento é cenário, mas a obra versa sobre comunicação – ou a falta dela.
“Isso Ainda Está de Pé?” explora o desconforto de viver à sombra de glórias passadas e a redescoberta da própria voz através do stand-up comedy. A harmonia é um exercício de empatia: para cada céu, há um inferno particular. Reconhecê-lo é essencial para seguir em frente.
Eduardo Coutinho dizia que os melhores filmes fazem perguntas, não oferecem respostas. Cooper adota essa abordagem, propondo uma jornada sensorial que exige a participação do espectador. No final, a pergunta do título transcende a relação dos protagonistas, questionando nossa própria existência. Quando o sucesso material não silencia o vazio, abrir-se pode ser o caminho para evitar a solidão.
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Nota 8
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