A Premissa Ambiciosa de ‘O Preço do Amanhã’ que Nunca se Concretizou

Horácio T

A Premissa Ambiciosa de “O Preço do Amanhã” que Nunca se Concretizou

Em 2011, Andrew Niccol apresentou ao mundo “O Preço do Amanhã” (In Time), um filme de ficção científica com uma ideia original: em 2169, o tempo literalmente se tornou a moeda de troca. Cada cidadão possui um relógio digital implantado no braço e, quando o tempo se esgota, a vida também chega ao fim. Este conceito intrigante esconde uma crítica à desigualdade social, onde os ricos vivem por séculos, enquanto os pobres lutam para ganhar meros minutos de vida em suas jornadas diárias.

Raymond Leon looking like a leather sex god in a chair in the movie In Time

Will Salas: O Protagonista em Busca de Tempo

O protagonista, Will Salas, interpretado por Justin Timberlake, é um operário que vive à beira do colapso temporal. Sua vida muda drasticamente ao salvar um rico homem de 105 anos de idade, que, num ato de arrependimento, transfere todo o seu tempo para Will antes de morrer. Essa nova riqueza coloca Will na mira dos policiais do tempo, liderados por Cillian Murphy, que acreditam que ele roubou esse tempo.

Com seu relógio agora recheado de anos, Will infiltra-se nas camadas sociais mais altas, onde descobre um mundo onde o tempo é apostado em partidas de pôquer e trocado por luxo. É uma crítica ao acumulo de riquezas e ao privilégio hereditário que poucos ousam desafiar.

Will holding Philip at gunpoint while Sylvia smirks in In Time

Um Conceito Inovador que Faltou Profundidade

Embora a ideia de “tempo é dinheiro” seja intrigante, o filme falha em explorar todo o seu potencial. O ápice da trama, que envolve um roubo de um milhão de anos para distribuir aos mais pobres, assume um tom de Robin Hood, mas não avança na crítica social como poderia. O filme poderia ter explorado como a exaustão dos pobres os forçaria a viver rapidamente e como os ricos, com tempo de sobra, levariam vidas mais lentas e contemplativas.

O filme não se aprofunda em questões como a velocidade de vida dos pobres e a lentidão dos ricos. Não há representações de como a pressa moldaria os pobres ou como a ociosidade extrema transformaria os ricos.

A Polêmica com Harlan Ellison

Will walking away from Sylvia in In Time

A recepção crítica de “O Preço do Amanhã” foi mista, com apenas 36% de aprovação no Rotten Tomatoes. Críticos como Noah Berlatsky sugeriram que o filme não conseguiu desenvolver suas críticas ao capitalismo de forma eficaz. Uma controvérsia surgiu quando Harlan Ellison, famoso autor de ficção científica, processou Niccol por supostamente plagiar sua obra “Repent, Harlequin! Said the Ticktockman”. Contudo, após assistir ao filme, Ellison retirou a ação, reconhecendo sua originalidade.

Conclusão: Um Filme que Poderia Ter Sido Muito Mais

“O Preço do Amanhã” teve um desempenho razoável nas bilheterias, arrecadando mais de $174 milhões. Apesar de não ter sido um grande sucesso, a premissa permanece como uma lembrança do que poderia ter sido um marco no gênero da ficção científica. Andrew Niccol, conhecido por “O Show de Truman”, mostrou que tinha potencial para explorar mais a fundo essa narrativa única.

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Redator e apaixonado por cultura pop em geral.