O Primata final explicado
O Primata é o novo terror com macaco assassino que está chamando atenção justamente por seu final inspirado em Stephen King, funcionando como uma espécie de “Cujo com chimpanzé” – brutal, trágico e cheio de camadas sobre culpa e consequências humanas. No desfecho, a família sobrevive fisicamente ao ataque do chimpanzé Ben, mas fica emocionalmente destruída, enquanto o filme sugere que ninguém realmente “sai ileso” depois de brincar de domesticar um predador.
O Primata (Primate) acompanha uma família e amigos em férias em uma ilha tropical paradisíaca, onde o grande destaque da casa é Ben, um chimpanzé de estimação que, após contrair raiva, se transforma em uma verdadeira máquina de matar. O diretor Johannes Roberts, conhecido por 47 Meters Down e The Strangers: Prey at Night, assumiu abertamente que a ideia do filme nasce da mesma veia de terror naturalista de Cujo, clássico de Stephen King sobre um cão com raiva que aterroriza uma mãe e seu filho.
Críticos e fãs de terror vêm comparando Primate diretamente a Cujo, tanto pelo foco em um animal comum que vira ameaça sobrenaturalmente intensa, quanto pela mistura de drama familiar com horror físico extremo. A grande diferença é que, em vez do subúrbio americano, Primate transforma o cenário de férias em “paraíso-armadilha”, usando a paisagem tropical como contraste irônico para a brutalidade de Ben.
No ato final, o filme transforma a casa e a área da piscina em um campo de batalha entre a família e Ben, que já está completamente tomado pela raiva. Lucy, Erin e o pai, Adam, são os únicos sobreviventes após diversas mortes violentas, e precisam trabalhar juntos para enfraquecer o chimpanzé, usando o ambiente e objetos à disposição.
A luta final culmina quando, depois de vários ferimentos e uma perseguição intensa, Ben avança em um último ataque desesperado e acaba sendo empalado em um móvel quebrado próximo à piscina. Não há discurso heroico, nem alívio real: a câmera enfatiza o cansaço e o choque dos sobreviventes, que parecem mais entorpecidos do que vitoriosos, reforçando que aquilo não foi uma aventura de sobrevivência “cool”, mas um trauma permanente.
O final inspirado em Stephen King não transforma Ben em um vilão cartunesco, mas em uma figura trágica: um animal quebrado pela doença, que antes fazia parte da família. Assim como em Cujo, o horror não vem de uma entidade sobrenatural, mas de algo muito real – uma combinação de doença, imprudência humana e negação sobre o perigo que existe dentro de casa.
A mensagem central do final é clara: amor não anula natureza. O filme sublinha a ilusão de que um animal selvagem pode ser totalmente domesticado e enquadrado na lógica humana de afeto, status de “pet exótico” e controle. Quando a situação explode, o resultado é um luto distorcido – os personagens precisam matar alguém que, até pouco tempo, era tratado como membro da família, e isso pesa em cada olhar depois da batalha.
Uma leitura bem à la Stephen King do final de Primate é que o verdadeiro terror não termina com a morte do monstro, mas com o que vem depois – investigações, traumas, culpa e a consciência de que tudo poderia ter sido evitado. Discussões entre fãs apontam que, em um cenário realista, a família provavelmente enfrentaria processos e responsabilidade legal por manter um animal selvagem potencialmente perigoso em ambiente doméstico, ainda mais depois de tantas mortes.
Lucy, Erin e Adam saem vivos, mas a narrativa deixa claro que eles estão física e mentalmente marcados, sem qualquer sensação de “final feliz”. A dor de perder amigos, a culpa por terem ignorado sinais de perigo e a lembrança constante de Ben – como companheiro e como assassino – constroem um epílogo emocionalmente pesado, mesmo que o filme não mostre diretamente consequências legais ou sociais. Esse tipo de ambiguidade amarga é típico de histórias influenciadas por King, onde sobreviver às vezes é só o início de uma condenação psicológica.
Parte do impacto de Primate vem do compromisso com efeitos práticos e uma fisicalidade brutal nos ataques de Ben, evitando depender apenas de CGI para criar medo. As cenas de violência são viscerais e pessoais, aproveitando o corpo e os movimentos do chimpanzé para gerar desconforto, o que coloca o filme na linhagem de “creature features” que realmente fazem o espectador se encolher na poltrona.
Além disso, o filme equilibra tensão de sobrevivência com drama familiar – há conflitos, ressentimentos e laços que tornam cada morte mais pesada do que um simples “body count” de slasher. A presença de personagens com vulnerabilidades específicas, como limitações de audição, também adiciona textura ao suspense, criando situações em que percepção e comunicação se tornam armas e fraquezas ao mesmo tempo.
Para quem ama Stephen King e filmes de terror com animais como força da natureza, Primate chega como uma atualização moderna desse tipo de história, com ritmo enxuto, clima tenso e um final que prefere o amargo ao triunfante. A comparação com Cujo não é apenas estética: ambos os filmes questionam o limite entre carinho e imprudência quando os humanos insistem em domesticar algo que nunca foi feito para viver dentro das regras humanas.
Primate mostra que ainda há muito espaço para o terror “pé no chão”, em que o monstro é assustador justamente por ser plausível, principalmente em um mundo obcecado por pets exóticos e experiências extremas em viagens. O final inspirado em King garante que o filme fique na cabeça do público não só pelas mortes criativas, mas pela sensação incômoda de que, em última análise, o verdadeiro horror veio das escolhas humanas muito antes de Ben ficar doente.
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