O mundo da música japonesa ainda precisa explorar todo o seu potencial global, segundo Takuya Chigira, gerente da cantora Ado e CEO da agência Cloud Nine. Em uma entrevista reveladora à Bungeishunju Plus, Chigira compartilhou suas frustrações e esperanças sobre a presença internacional da música japonesa.
Chigira explicou que, embora a melhora nas turnês internacionais de Ado seja evidente, o lucro ainda dependia principalmente da venda de merchandising. Durante eventos como o matsuri ’25, no Peacock Theatre, com capacidade para 7 mil pessoas, muitos dos presentes eram japoneses que viajaram do Japão. Isso mostra que, apesar das boas performances, ainda há muito a avançar.
“A música japonesa ainda não ressoou na Europa ou na América”, afirma Chigira.
Chigira destacou as diferenças significativas entre turnês no Japão e no Ocidente. No Japão, as agências de música pagam uma taxa de reserva aos locais e são responsáveis pelas vendas de ingressos. Já nos EUA e na Europa, os locais vendem os ingressos e pagam uma parte dos lucros aos artistas. Isso pode limitar artistas como Ado, que precisam demonstrar sua demanda para conseguir locais maiores.
Chigira ressaltou a necessidade de artistas japoneses buscarem mercados internacionais, comparando a situação com o sucesso global do K-Pop. Ele citou o exemplo da HYBE, que lançou o BTS e agora está assinando com artistas latino-americanos. Chigira acredita que o “boom asiático” está chegando ao fim, e o Japão precisa agir.
Para ampliar a presença global da música japonesa, Chigira está organizando o evento Zipangu, no Rose Bowl em Pasadena, Califórnia. Com uma capacidade de 35 mil pessoas e um custo de produção estimado em 1 bilhão de ienes, o evento contará com Ado e outros artistas japoneses. Chigira admite que é um risco, mas acredita ser um passo necessário.
“É preciso sonhar e ter esperança para expandir as atividades da música japonesa no futuro”, diz Chigira.
Chigira está determinado a levar Ado e a música japonesa a um público global mais amplo. Apesar dos desafios financeiros e logísticos, ele vê o potencial para que a música japonesa faça sua marca no mundo. A estratégia envolve entender as diferenças culturais e de mercado, além de ousar investir em grandes eventos como o Zipangu.
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