Quando Ian McKellen foi escalado como Magneto no inovador filme de super-heróis “X-Men”, dirigido por Bryan Singer em 2000, os fãs de quadrinhos tiveram reações mistas. Ninguém questionava o talento de McKellen, considerado um dos melhores atores de seu tempo, mas sua estatura de 1,80m e físico esguio eram inesperados para o papel de um personagem descrito como poderoso e imponente, o oposto do pacífico Professor Charles Xavier, interpretado por Patrick Stewart.
Singer, que já havia trabalhado com McKellen na adaptação da novela de Stephen King “O Aprendiz”, estava confiante na escolha. No entanto, para os fãs fervorosos dos quadrinhos da Marvel, a expectativa era por alguém mais robusto para dar vida ao militante Magneto.
Antes de “X-Men”, o papel mais memorável de McKellen como vilão no cinema havia sido “Ricardo III”, onde ele interpretou o personagem-título corcunda. A presença de McKellen no filme era marcante, mas ainda assim ele não tinha o porte físico esperado para Magneto.
Entretanto, ao estudar o personagem nos quadrinhos, McKellen encontrou uma profunda conexão emocional com Magneto. Compreendendo a essência do personagem, ele trabalhou com sua equipe para resolver a questão física da interpretação.
No documentário de 2017 “McKellen: Playing the Part”, disponível na Apple TV, o ator admite que inicialmente não se considerava a escolha ideal para o papel. “Achei que não era muito bom como Magneto”, comentou McKellen. “Nos quadrinhos, Magneto é desenhado de baixo para cima, com um corpo super-humano de músculos e poder.. e aí tem eu, Ian McKellen.”
Para contornar essa barreira, McKellen, que na época estava em seus 60 anos, contou com a ajuda da equipe de figurino. Eles criaram um traje que adicionava volume aos seus peitorais, coxas e panturrilhas, permitindo que ele transmitisse o poder e a ameaça de Magneto. Essa transformação era crucial para McKellen, que como ativista LGBTQ+, entendia profundamente a determinação feroz de seu personagem.
McKellen traçou um paralelo entre Magneto e movimentos de direitos civis, destacando a postura intransigente e orgulhosa do personagem em relação às suas diferenças. “Em qualquer movimento de direitos civis, há um argumento semelhante ao do personagem Magneto”, explicou McKellen. “Ele diz que lutaremos até o fim, que nos orgulhamos de nossas diferenças e que podemos ser violentos em nossa defesa. Nossa diferença nos torna superiores. Talvez isso seja uma versão extrema de um líder como Malcolm X.”
Apesar das controvérsias em torno dos diretores Bryan Singer e Brett Ratner devido a acusações de má conduta, McKellen e Stewart foram elogiados por suas atuações. Para muitos fãs que sonhavam com uma adaptação de qualidade dos X-Men desde a infância, o filme de 2000 foi a realização desse desejo.
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