Hiroshi Shimizu: O Gênio do Cinema Japonês Redescoberto em Portugal

Acelino Silva

O cineasta japonês Hiroshi Shimizu, um nome que muitos ainda desconhecem, mas que é altamente reverenciado por seus pares, terá cinco de suas obras exibidas nos cinemas de Portugal em abril. Este evento faz parte do ciclo Shimizu Tardio, organizado pela The Stone and the Plot, que se dedica a trazer à tona o cinema autoral e clássico asiático.

O Gênio Injustamente Esquecido

Kenji Mizoguchi, outro gigante do cinema japonês, uma vez afirmou: “Pessoas como eu e Ozu fazemos filmes com muito trabalho, mas Shimizu é um gênio.” Apesar de tal reconhecimento, Shimizu permaneceu desconhecido para o grande público. A partir de 16 de abril, os portugueses terão a chance de redescobrir este talento nos cinemas locais.

Detalhes das Exibições

Os filmes serão exibidos no Cinema City Alvalade, em Lisboa, com quatro sessões diárias até 22 de abril. Após essa data, durante três finais de semana, as produções também estarão nas salas NOS em Lisboa (Amoreiras), Porto (Alameda) e em outras cidades como Coimbra, Sintra, Santarém, Maia, Guimarães, Barcelos e Fundão.

Conhecendo Hiroshi Shimizu

Nascido em 1903 na Prefeitura de Shizuoka, Shimizu dirigiu mais de 160 filmes, atravessando desde o cinema mudo até a era dourada do cinema japonês. Ele começou sua carreira aos 21 anos no estúdio Shochiku em Tóquio, trabalhando ao lado de Yasujirō Ozu. Sua obra é marcada por personagens à margem, como órfãos, mulheres trabalhadoras e migrantes, sempre retratados com uma humanidade tocante.

  • Crianças órfãs
  • Mulheres trabalhadoras
  • Viajantes e migrantes

Apesar de sua importância, o acesso limitado aos seus filmes fora do Japão contribuiu para sua invisibilidade internacional. No entanto, nos últimos anos, essa situação tem melhorado, com retrospetivas e exibições promovendo seu trabalho.

Os Filmes em Destaque

O ciclo traz três filmes inéditos de Shimizu em Portugal, todos da fase final de sua carreira:

  • O Idiota Sentimental (1956): Uma história que poderia ser moralista, mas se torna uma reflexão sobre altruísmo e redenção.
  • Crianças à Procura de Mãe (1956): Foca na orfandade e nos laços familiares, acompanhando a busca de Aki Yamamoto em um orfanato.
  • A Dançarina (1957): Baseado em um romance de Kafū Nagai, é visualmente exuberante e captura a energia caótica de Tokyo.

Além disso, o ciclo inclui a reposição de O Som do Nevoeiro (1956) e Imagem de uma Mãe (1959), completando o retrato dessa fase da carreira de Shimizu.

Conclusão

O ciclo Shimizu Tardio é uma oportunidade imperdível para os cinéfilos conhecerem mais sobre um dos mestres do cinema japonês que, apesar de injustamente esquecido, deixou um legado inestimável. Com exibições programadas em várias cidades portuguesas, a iniciativa promete ampliar o conhecimento e a apreciação do cinema clássico japonês.

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