A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) iniciou uma investigação de grande escala contra a empresa X, anteriormente conhecida como Twitter. A empresa está sob suspeita de violar o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) através do seu chatbot de inteligência artificial, Grok, acusado de gerar imagens íntimas sem consentimento, incluindo de menores.
A controvérsia começou em dezembro de 2025, quando a xAI, empresa de IA de Elon Musk, introduziu uma ferramenta de edição de imagens na plataforma X. Usuários rapidamente começaram a explorar essa ferramenta para criar imagens sexualizadas de pessoas reais, um fenômeno que se destacou pela criação de deepfakes que “despiram” digitalmente mulheres a partir de fotos publicadas.
O Center for Countering Digital Hate (CCDH), uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido, analisou uma amostra de 20.000 imagens geradas pelo Grok entre 29 de dezembro de 2025 e 8 de janeiro de 2026. Estimou-se que, em 11 dias, cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram criadas, incluindo aproximadamente 23.000 que aparentavam representar crianças.
Casos documentados incluíam imagens alteradas de figuras públicas como Taylor Swift, Selena Gomez e Billie Eilish, além de políticos europeus. As situações mais alarmantes envolveram crianças; por exemplo, uma selfie de uma menor foi transformada em uma imagem de biquíni.
O X adotou algumas medidas, como restringir a funcionalidade a usuários pagos e adicionar restrições técnicas para a edição de imagens, mas essas ações foram consideradas insuficientes por muitas autoridades e críticos.
A investigação da Irlanda é apenas uma das várias em andamento. A Comissão Europeia iniciou um processo sob a Lei dos Serviços Digitais para avaliar se o X mitigou adequadamente os riscos relacionados ao Grok. A comissária europeia de tecnologia, Henna Virkkunen, criticou duramente a criação de deepfakes sexuais.
No Reino Unido, tanto a ICO quanto a Ofcom abriram suas próprias investigações, enquanto países como Indonésia, Malásia, Filipinas, Canadá, Índia, França e o estado da Califórnia também tomaram medidas legais ou restritivas contra a plataforma.
A DPC está examinando a conformidade do X com vários artigos do RGPD, incluindo:
Graham Doyle, vice-comissário da DPC, destacou que a entidade está em comunicação com o X desde que os primeiros relatos surgiram. A DPC está determinada a garantir que as obrigações do RGPD sejam cumpridas pela empresa.
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