Quando se trata de finalizar uma história expansiva, manter a satisfação do público pode ser um verdadeiro desafio. Para cada desfecho brilhante de série de TV, existem dezenas que deixam a desejar, gerando discussões acaloradas entre os fãs. Um exemplo memorável é o final da série de ficção científica “Battlestar Galactica”, que dividiu opiniões e deixou um gosto amargo na boca de muitos, incluindo o renomado autor de “A Song of Ice and Fire”, George R.R. Martin.
Conhecido por não ter papas na língua, Martin expressou suas frustrações em um post de blog de 2009 intitulado “Writing 101”. Ele criticou duramente o final da série, dizendo que “parece que alguém pulou o curso de Escrita 101, onde se aprende que um deus ex machina é uma forma pobre de encerrar uma história”.
O termo “deus ex machina” tem suas raízes em dramas greco-romanos, onde um deus aparecia de forma conveniente para salvar um personagem de uma situação desesperadora. No final de “Battlestar Galactica”, intitulado “God Did It”, esse trope foi utilizado literalmente para resolver várias pontas soltas da trama, algo que Martin não deixou passar em branco.
Após criticar “Battlestar Galactica”, Martin comentou sobre o uso do trope em outras produções, como a série “Life on Mars” e o filme “Knowing”, estrelado por Nicolas Cage. Ele foi categórico em suas palavras: “Escrita 101, pessoal. Adão e Eva, Deus fez isso, era tudo um sonho? Já vi estudantes do [workshop de escrita] Clarion ficarem atordoados e sangrando por entregarem histórias com esses finais.”
No entanto, é curioso que Martin critique o uso deste trope, considerando que seus próprios livros de “A Song of Ice and Fire” não estão isentos de críticas semelhantes. Situações como a morte de Renly Baratheon por um monstro de fumaça mágica ou Jon Snow sendo salvo por Stannis Baratheon ao norte da Muralha são vistas por alguns fãs como exemplos de deus ex machina.
Martin concluiu seu post expressando preocupação de que a série “Lost” pudesse utilizar o trope de “eles estavam mortos o tempo todo”. Embora a série não tenha seguido exatamente esse caminho, o final não está entre os favoritos do autor.
Talvez seja prudente Martin finalizar sua própria saga antes de criticar o desfecho das histórias alheias. Enquanto o mundo aguarda ansiosamente o próximo capítulo de “A Song of Ice and Fire”, as palavras de Martin servem como um lembrete da complexidade de encerrar narrativas épicas de forma satisfatória.
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