Imagine assistir a um filme este ano que traz uma mistura peculiar: um centauro CGI com cabeça de gato, que expele confetes cintilantes. Se essa descrição já te intrigou, o novo e ousado conto de viagem no tempo de Gore Verbinski. Com uma narrativa cheia de surpresas, essa produção é inovadora e extremamente divertida, apesar de se perder um pouco em um ato final confuso.
O sempre carismático Sam Rockwell brilha como um revolucionário anônimo do futuro. Sua missão? Salvar o mundo de uma criança prodígio de nove anos destinada a criar uma IA com aversão à humanidade. Para isso, ele precisa recrutar uma equipe de desconhecidos que, por acaso, estão jantando no restaurante Norm’s em uma noite específica. O viajante do tempo já tentou várias combinações antes, mas sempre esbarrou em obstáculos absurdos. Será que essa equipe é a certa?
O filme se destaca especialmente nos dois primeiros atos, onde vinhetas sobre as histórias passadas dos frequentadores do restaurante são intercaladas com a missão central. Essas cenas lembram episódios de Black Mirror, misturando humor negro com terror tecnológico.
O segmento de Temple é particularmente comovente e perturbador, refletindo o atual cenário americano. Sua atuação transmite realismo e humor, mesmo em meio a um pesadelo à la As Esposas de Stepford.
Apesar de sua veia de horror, ficção científica, ação e comédia, o filme traz uma crítica aguda ao estado atual do mundo. O apocalipse já começou, mas ninguém parece se importar. As crianças estão hipnotizadas por seus telefones, enquanto os adultos estão entorpecidos pelas tragédias do mundo. A criatividade está sendo substituída por um conteúdo insípido gerado por IA.
O filme, intitulado Good Luck, Have Fun, Don’t Die, brinca com elementos meta, embora às vezes se complique com isso. Apesar de criticar a falta de atenção moderna, tem uma duração de 134 minutos e usa jargões tecnológicos e CGI chamativo para mascarar alguns pontos da trama.
O ato final do filme tropeça em suas próprias armadilhas, com múltiplos finais e uma lógica questionável. Como em alguns dos filmes anteriores de Verbinski, o visual impressiona, mas o enredo se perde na reta final. O filme pode ser comparado a Everything, Everywhere All at Once de 2022, porém, é improvável que conquiste prêmios tradicionais, o que pode ser visto como uma vantagem. É inteligente, despretensioso e repleto de energia contagiante.
Good Luck, Have Fun, Don’t Die chega aos cinemas do Reino Unido na sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026. Este filme é uma experiência única, desafiando as normas convencionais com sua originalidade e energia vibrante. Vale a pena conferir para quem busca algo fora do comum.
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