Emerald Fennell e a Nova Face de Wuthering Heights

Horácio T

Emerald Fennell e sua ousada visão de “Wuthering Heights”

Emerald Fennell, conhecida por sua habilidade em transformar histórias clássicas em narrativas modernas, trouxe à tona uma versão de “Wuthering Heights” que certamente não é para os puristas. Sua adaptação da obra de Emily Brontë, um clássico frequentemente relido em currículos escolares, se desvia do enredo original e o transforma em um romance erótico carregado de tensão sexual entre os protagonistas, Cathy e Heathcliff.

Heathcliff on a couch in a nice coat in Wuthering Heights

Uma reimaginação provocativa

Nessa interpretação, Cathy (interpretada por Margot Robbie) é apresentada como uma mulher intensa que rejeita Heathcliff (Jacob Elordi) de forma quase provocativa. Heathcliff, por sua vez, é retratado como um homem de energia quase animal, que não hesita em demonstrar seus desejos. Uma das cenas mais comentadas envolve Heathcliff interrompendo Cathy durante um momento íntimo, levando a narrativa para um caminho de exploração erótica e emocional.

Fennell não apenas desafia a narrativa original ao permitir que Cathy e Heathcliff consumem seu relacionamento, mas também transforma a história em uma exploração dos perigos do desejo, afastando-se das frustrações românticas do texto de Brontë.

Explorando o desconhecido

Cathy and Heathcliff embracing on the moors in Wuthering Heights

Na versão de Fennell, Cathy e Heathcliff vivem um caso que levanta questões sobre o futuro de sua relação. Cathy, já casada com Edgar Linton (Shazad Latif), se vê em um dilema moral, especialmente quando Heathcliff sugere uma solução drástica: eliminar Edgar e herdar suas riquezas. Embora Cathy rejeite a ideia, essa sugestão marca uma ruptura completa com o texto original de Brontë.

A decisão de Fennell de não aprofundar essa ideia de crime e violência parece um desvio de sua própria direção criativa. Ao flertar com a transformação da história em um drama criminal, ela poderia ter levado “Wuthering Heights” a novos territórios, mas optou por recuar no último momento.

Potencial não explorado

Cathy in her bridal gown in Wuthering Heights

A produção visual de Fennell, com um estilo exagerado e dramático, abre portas para uma abordagem ainda mais extrema. Lembrando os excessos cinematográficos de Ken Russell, Fennell cria um espaço onde o exagero poderia ter sido mais explorado. A possibilidade de transformar “Wuthering Heights” em um filme de terror ou até mesmo em uma narrativa digna de uma novela de Jackie Collins estava presente, mas não foi concretizada.

O potencial para uma história mais sombria e envolvente estava alí: e se Heathcliff e Cathy tivessem realmente cometido um assassinato? E se outras personagens, como Nelly (Hong Chau) ou Isabella (Alison Oliver), descobrissem o crime? A linha entre o romance angustiante de Brontë e um conto de horror é tênue, e Fennell tinha todos os elementos para cruzá-la.

Conclusão

Embora a adaptação de Fennell tenha levado “Wuthering Heights” a novos e ousados caminhos, a escolha de não explorar todo o potencial de sua reinvenção deixou um sabor agridoce. A tragédia final, embora fiel ao espírito do original, pareceu uma oportunidade perdida para criar algo verdadeiramente inovador e surpreendente. Com um pouco mais de ousadia, Fennell poderia ter transformado a obra de Brontë em uma narrativa que desafiaria ainda mais as expectativas dos espectadores.

Do listening am eagerness oh objection collected solicitude so decisively unpleasing conviction is partiality he.

Share This Article
Redator e apaixonado por cultura pop em geral.