Em 1997, Robert Duvall lançou um projeto de paixão que foi muito aguardado: “The Apostle”. Este filme, que ele mesmo escreveu, dirigiu e protagonizou, narra a história de um pregador que, após um ato de violência, foge de sua antiga vida para iniciar uma nova igreja. Embora tenha tido um sucesso comercial modesto, foi um triunfo crítico. Roger Ebert, renomado crítico de cinema, ficou especialmente impressionado, concedendo ao filme a nota máxima de quatro estrelas e elogiando Duvall por sua interpretação complexa de um homem religioso imperfeito.
Duvall, que faleceu em 15 de fevereiro de 2026 aos 95 anos, já havia conquistado o Oscar de Melhor Ator pelo papel no drama “Tender Mercies”, de 1983. Em “The Apostle”, além de atuar, ele enfrentou desafios para realizar o filme, chegando a investir US$ 5 milhões do próprio bolso após anos de rejeição por parte dos estúdios. Segundo Ebert, o filme foi rejeitado pois “falava sobre algo” que, em sua opinião, “assustava” os estúdios. No entanto, “The Apostle” arrecadou US$ 21,2 milhões nas bilheterias, muito mais que seu orçamento, e foi amplamente elogiado pela crítica.
Robert Duvall sempre foi considerado um dos melhores atores de sua geração e também um homem de fé. O ator, filho de um pai metodista e uma mãe da Ciência Cristã, revelou ao New York Times que vinha trabalhando na ideia de “The Apostle” desde os anos 1960, quando assistiu a um pregador pentecostal em uma pequena capela no Arkansas. A partir daí, Duvall coletou ideias e finalmente concluiu o roteiro em 1984, embora ninguém quisesse produzi-lo na época.
No filme, acompanhamos Euliss F. “Sonny” Dewey, um pregador pentecostal do Texas que descobre que sua esposa o está traindo com um ministro jovem. Em um momento de desespero, Dewey atinge o amante com um taco de beisebol, resultando em sua morte. Forçado a fugir para a Louisiana, ele se reinventa como “The Apostle E. F.” e começa uma nova igreja. Apesar de construir uma congregação diversa, seu passado não tarda a alcançá-lo.
Para viabilizar “The Apostle”, Duvall investiu US$ 5 milhões de seu próprio dinheiro, garantindo a distribuição após uma exibição bem-sucedida no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 1997. O lançamento em dezembro daquele ano confirmou o valor do filme. Duvall buscava tratar a fé evangélica de maneira séria, sem abordagens simplistas. Ebert destacou que Duvall via os personagens sob uma “luz perceptiva incomum”, dando-lhes a “complexidade e espontaneidade de pessoas em um documentário”.
Com habilidade para criar personagens autênticos, Duvall trouxe um realismo ímpar a “The Apostle”. O roteiro, descrito por Ebert como “surpreendentemente sutil”, foge das histórias pré-fabricadas, transparecendo a vida em sua forma mais genuína.
Embora Roger Ebert tenha dado nota máxima a outras produções controversas, como “Watchmen” de Zack Snyder, foi em “The Apostle” que ele encontrou uma representação rara e autêntica de fé e humanidade. O filme permanece como um testemunho do talento extraordinário de Robert Duvall em capturar a sutileza e profundidade em seu trabalho, continuando a ressoar com críticos e público até hoje.
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