A Netflix acertou em cheio mais uma vez. Dele & Dela (His & Hers), minissérie estrelada por Tessa Thompson e Jon Bernthal, conquistou o público com uma trama de assassinatos, segredos familiares e um plot twist absolutamente devastador. Se você maratonou os seis episódios e ficou sem palavras com o desfecho, não está sozinho. Este artigo desvenda cada camada desse final perturbador e explica por que a revelação sobre a verdadeira assassina transforma tudo o que você pensava saber sobre a história.
Confira Dele & Dela final explicado e não perca nenhum detalhe
A Premissa Que Engana Desde o Início

Anna, interpretada brilhantemente por Tessa Thompson, é uma ex-âncora de TV de Atlanta que abandonou a carreira após um ano turbulento. Quando descobre que uma antiga amiga de infância foi brutalmente assassinada em Dahlonega, sua cidade natal na Georgia, ela decide voltar para cobrir o caso e reconquistar seu lugar no jornalismo.
O que parece uma investigação criminal comum rapidamente se transforma em algo muito mais pessoal. Rachel Hopkins, a primeira vítima, foi encontrada esfaqueada dezenas de vezes, com uma pulseira de amizade enfiada na garganta, sobre o capô de um carro abandonado na floresta. E para complicar ainda mais, o detetive responsável pelo caso é Jack Harper — interpretado por Jon Bernthal —, que além de ter um caso com Rachel, também é o ex-marido de Anna.
A tensão entre os dois ex-cônjuges permeia toda a narrativa. Jack observa Anna de longe, desconfiado de suas intenções. Ela, por sua vez, carrega feridas antigas que a reconexão com a cidade natal só faz reabrir.
Os Assassinatos Se Multiplicam
Se a morte de Rachel já era brutal, o que vem depois eleva o terror a outro patamar. Helen, outra amiga do grupo de adolescência de Anna, é encontrada morta em seu escritório. Os detalhes são macabros: veias do pescoço cortadas, olhos grampeados e a palavra “Mentirosa” escrita em sua testa.
A terceira vítima é ainda mais devastadora para Jack. Zoe, sua própria irmã, também aparece assassinada. O padrão se repete: mensagens perturbadoras nos corpos e a mesma pulseira de amizade conectando os crimes.
A investigação coloca tanto Anna quanto Jack como suspeitos. Afinal, ambos têm relações complicadas com as vítimas. A parceira de Jack, a detetive Priya, começa a desconfiar seriamente de Anna — e até mesmo do próprio Jack, quando o encontra coberto com o sangue da irmã.
Catherine Kelly: A Pista Falsa Perfeita
Durante o quinto episódio, a série apresenta uma suspeita convincente: Catherine Kelly. Um flashback revela que, ainda na adolescência, Catherine esvaziou propositalmente o inalador da irmã Andrea antes de uma viagem de barco. Andrea sofreu um ataque de asma e morreu.
Anna descobre que Lexy, uma mulher com quem ela vinha interagindo, é na verdade Catherine Kelly vivendo sob identidade falsa. Quando Anna vai até a casa de campo da família de Lexy e confronta Richard — outro personagem envolvido na trama —, a tensão explode.
Catherine, furiosa, tenta matar Anna. Mas antes que consiga, a detetive Patel aparece e atira em Catherine, encerrando o que parecia ser o clímax da série.
Richard é preso pelos assassinatos. O caso parece resolvido. Anna e Jack se reconciliam. Tudo indica um final feliz.
Só que não.
O Plot Twist Que Muda Tudo em Dele & Dela
A série Dele & Dela avança um ano. Anna voltou ao posto de âncora, está grávida e feliz ao lado de Jack. Juntos, eles adotaram Meg, filha de Zoe. A família finalmente parece completa.
Durante uma visita à cidade natal, Anna encontra uma carta endereçada a ela no quarto de sua infância. A narração que ouvimos ao longo de toda a série — aquelas reflexões íntimas que pareciam vir da própria Anna — revela-se, na verdade, o conteúdo dessa carta.
E aqui vem a bomba: a assassina é Alice, a mãe de Anna.
Alice, uma senhora aparentemente frágil que fingia sofrer de demência, foi quem matou Rachel, Helen e Zoe. Uma por uma. Metodicamente. Por amor à filha.
A Motivação Por Trás dos Crimes em Dele & Dela
A carta de Alice revela uma história de dor enterrada por décadas. Durante suas noites de insônia, Alice assistia às antigas fitas de vídeo de Anna. Em uma delas, do aniversário de 16 anos da filha, ela descobriu algo devastador: Rachel havia manipulado Anna, que acabou sendo abandonada e agredida sexualmente enquanto as “amigas” cantavam parabéns ao fundo.
Alice também observava Rachel encontrando amantes em uma estrada de terra perto do cemitério local. A raiva foi crescendo. E quando decidiu agir, usou toda sua experiência como faxineira profissional para eliminar evidências. Cortou as unhas para não deixar DNA, tirou as roupas ensanguentadas e caminhou nua até em casa sob a chuva.
“Ninguém espera que uma mulher seja uma serial killer”, escreve Alice na carta. “Acrescente o pecado da velhice, confunda determinação com demência; aí estou eu, a imagem da fragilidade.”
Um Amor Maternal Distorcido
O que torna esse final tão perturbador em Dele & Dela não é apenas a revelação em si, mas a justificativa de Alice. Ela não matou por vingança cega. Matou com propósito.
“Matar Rachel trouxe você para casa. Matar Helen manteve você aqui. Matar Zoe deu a você a família que perdeu.”
A carta termina com palavras que soam carinhosas, mas carregam um peso sinistro: “O amor de mãe nunca diminui, nunca enfraquece. É constante, contínuo, implacável.”
Enquanto lê essas palavras, Anna chora. Mas então, em vez de horror, seu rosto se transforma. Ela olha para a mãe e sorri — um sorriso que parece carregar gratidão.
A Cumplicidade Silenciosa de Anna
O desfecho mais perturbador talvez não seja o crime em si, mas a reação de Anna. Ela não denuncia a mãe. Não confronta. Não conta a Jack. Em vez disso, escolhe guardar o segredo e seguir em frente com sua vida aparentemente perfeita.
Anna decide criar Meg — filha da mulher que sua própria mãe assassinou — como se fosse sua. Ela reformula mentalmente os assassinatos como um ato de amor distorcido, mas ainda assim, amor.
Essa cumplicidade silenciosa transforma Anna de vítima em cúmplice moral. E transforma His & Hers de um thriller policial convencional em uma reflexão sombria sobre os limites do amor familiar.
Por Que Esse Final Funciona Tão Bem em Dele e Dela
A série consegue algo raro: surpreender sem trapacear. Todos os elementos estavam lá desde o início — a demência fingida de Alice, suas andanças noturnas, seu conhecimento íntimo da cidade. O espectador simplesmente não conectou os pontos porque, como a própria Alice diz, ninguém suspeita de uma senhora idosa.
Tessa Thompson entrega uma performance que equilibra força e vulnerabilidade. Jon Bernthal traz camadas a um personagem que poderia facilmente ser apenas o “detetive durão”. E a revelação final ressignifica cada cena anterior, convidando a uma segunda assistida com novos olhos.
