Os Custos Altos do Anime: Uma Visão do CEO da ARCH, Nao Hirasawa
Em uma entrevista reveladora com Atsushi Matsumoto da ITmedia, Nao Hirasawa, CEO da empresa de produção de anime ARCH e presidente do estúdio Graphinica, destacou as mudanças no setor que elevaram os custos de produção de TV a até 300 milhões de ienes por episódio (aproximadamente US$ 1,9 milhão) e 4 bilhões de ienes por filme (US$ 25 milhões).
Segmentação dos Estúdios de Anime
Hirasawa classifica os estúdios de anime em ecossistemas e camadas, com base nas empresas que aprovam os orçamentos e nas capacidades dos estúdios. Esses ecossistemas apresentam fluxos de receita que determinam como os estúdios ganham dinheiro e os orçamentos que podem alocar para as produções.
- Poder da marca: A reputação do estúdio justifica orçamentos mais altos?
- Receitas diversificadas: Além de comissões, os estúdios recebem receitas de direitos autorais?
A seguir, Hirasawa apresenta um diagrama que ilustra essas divisões. O eixo Y representa o poder da marca, e o eixo X, as receitas diversificadas.
Ecossistemas Definidos
Os ecossistemas são classificados em:
- Sede no exterior: Produção de anime com orçamentos aprovados por grandes empresas internacionais.
- Plataformas de streaming e IP de jogos: Orçamentos influenciados por serviços de streaming e mix de mídia envolvendo jogos de sucesso.
- Paisagem noturna e teatral & Manhãs de fim de semana: Foco no mercado doméstico e nichos específicos.
Esses elementos moldam a produção, com o mercado global sendo uma prioridade crescente.
Desafios e Oportunidades no Mercado
Hirasawa prevê uma maior polarização no setor até 2030, dificultando a movimentação entre ecossistemas devido à disparidade crescente nos orçamentos. Enquanto estúdios maiores conseguem acessar orçamentos robustos, os menores enfrentam riscos e déficits.
Com a chegada de serviços de streaming e a necessidade de apelo global, o mercado se torna mais competitivo. Isso leva a um aumento na contratação de talentos de outros estúdios e menos tempo para treinar novas equipes, resultando em mais terceirizações.
Além disso, o aumento das falências entre estúdios subcontratados sinaliza um ciclo negativo, enquanto as camadas superiores estão mais dependentes de capital estrangeiro para garantir retornos.

Conclusão
Os desafios do setor de anime refletem a necessidade de adaptação a um mercado global em evolução, onde estúdios devem decidir em que segmento competir. Com orçamentos mais altos e expectativas de apelo massivo, a sustentabilidade para estúdios menores se torna um desafio constante.
