Desde que a pandemia de COVID-19 abalou a indústria cinematográfica em 2020, o desempenho das bilheteiras tem sido um tema debatido intensamente. Embora 2020 tenha sido um ano atípico devido ao fechamento global dos cinemas, 2017 destaca-se como um dos piores anos para os blockbusters em tempos de “normalidade”. A fixação de Hollywood por franquias e produções de alto orçamento tornou a indústria mais dependente dos grandes sucessos de bilheteira. Contudo, 2017 foi marcado por uma série de fracassos retumbantes, muitos deles em níveis históricos.
A obsessão de Hollywood com franquias atingiu seu ápice em 2017. Filmes como “Transformers: O Último Cavaleiro” exemplificam essa crise. Enquanto “Transformers: A Era da Extinção” arrecadou US$ 1,1 bilhão em 2014, “O Último Cavaleiro” não passou de US$ 605 milhões, uma queda significativa. Outros exemplos incluem “Carros 3”, da Pixar, que rendeu apenas US$ 384 milhões, e “O Filme LEGO Ninjago”, com meros US$ 123 milhões em comparação aos US$ 470 milhões de “O Filme LEGO”.
O desastre da DCEU com “Liga da Justiça”, que arrecadou US$ 661 milhões contra um orçamento de cerca de US$ 300 milhões, ilustra a pressa em competir com a Marvel, deixando a Warner Bros. em dificuldades com a DC por anos. Outro caso emblemático foi “Blade Runner 2049”, que arrecadou US$ 167 milhões contra um orçamento de pelo menos US$ 150 milhões, mostrando que nem todo IP é garantia de sucesso.
Os problemas das franquias em 2017 também se refletiram em novas tentativas de criar séries de sucesso. “Power Rangers”, por exemplo, sobrestimou o apelo da franquia e arrecadou apenas US$ 142 milhões contra um orçamento de US$ 100 milhões, enterrando planos de sequência. Warner Bros. tentou iniciar uma série de seis filmes com “Rei Arthur: A Lenda da Espada”, mas o projeto fracassou com US$ 149 milhões arrecadados contra um orçamento de US$ 175 milhões.
Mesmo filmes sem ambições de franquia enfrentaram dificuldades. “Downsizing” arrecadou apenas US$ 55 milhões contra um orçamento de US$ 68 milhões, enquanto “Live by Night” de Ben Affleck teve um desempenho ainda pior, com US$ 23 milhões e uma perda estimada de US$ 75 milhões para a Warner Bros.
Os fracassos de 2017 deveriam ter servido de lição para Hollywood. “Blade Runner 2049” mostrou que nem todo IP vale a pena, e “A Múmia” ilustrou a falha de começar um universo cinematográfico sem uma base sólida. No entanto, muitos desses erros continuam a ser repetidos até hoje. Apesar de 2017 ter sido um ano em que filmes liderados por mulheres dominaram as bilheteiras, com “Star Wars: Os Últimos Jedi” e “A Bela e a Fera”, Hollywood ainda subestima esse público.
Os orçamentos excessivos também condenaram muitos filmes, um problema que persiste e se agravou com a incerteza atual das bilheteiras. Em retrospectiva, 2017 foi um ano crucial, cujos erros ainda ecoam na indústria cinematográfica, servindo como um alerta contínuo para a dependência excessiva de franquias.
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