John Wayne e “Os Boinas Verdes”: Um Filme Polêmico e Inesquecível
Em 1968, John Wayne lançou um dos filmes mais controversos de sua carreira: “Os Boinas Verdes”. Este trabalho, considerado por muitos críticos como uma peça de propaganda jingoísta, precedeu a única vitória do ator no Oscar e marcou um ponto baixo em sua trajetória cinematográfica, quase custando-lhe a carreira.
O renomado crítico Roger Ebert foi um dos que expressaram o maior descontentamento com o filme, recusando-se a dar qualquer classificação por estrelas. Para ele, o filme era uma representação cruel e desonesta da realidade do Vietnã.
O Contexto de “Os Boinas Verdes”
A produção de “Os Boinas Verdes” ocorreu em um momento de transição em Hollywood. Enquanto o cinema começava a explorar narrativas mais complexas e realistas, Wayne permanecia fiel ao estilo preto-no-branco de seus antigos faroestes, que já não ressoavam com o público da época.
O filme foi co-dirigido por Wayne e o ex-tenente da Marinha dos EUA, Ray Kellogg, e baseado no livro de Robin Moore. Na trama, Wayne interpreta o Coronel Mike Kirby, liderando uma missão secreta para capturar um comandante Viet Cong, acompanhado pelo repórter anti-guerra George Beckworth, interpretado por David Janssen.
Uma Tentativa de Justificação da Guerra
Em uma tentativa de angariar apoio para a Guerra do Vietnã, Wayne procurou o então Presidente Lyndon B. Johnson para garantir o apoio do governo ao filme. Ironicamente, um republicano convicto estava concedendo ao governo uma influência significativa sobre um projeto cinematográfico, destacando o quão desorientado “Os Boinas Verdes” realmente era.
No entanto, a tentativa de Wayne de influenciar a opinião pública acabou tendo o efeito contrário. A crítica de Ebert e a reação geral do público destacaram a percepção de que o filme era uma tentativa simplista de justificar o envolvimento americano no Vietnã.
Roger Ebert: Uma Crítica Ácida
Para Roger Ebert, “Os Boinas Verdes” era nada menos do que uma propaganda ofensiva. Em sua resenha, ele declarou que o filme era inadequado como uma representação do conflito no Vietnã, ofendendo tanto opositores quanto apoiadores da política americana.
Ebert criticou o filme por aplicar a mentalidade dos faroestes de Wayne a um conflito real e complexo, descrevendo-o como um retrato cruel e desonesto da guerra. Ele destacou o uso de personagens estereotipados e clichês, que apenas reforçavam o jingoísmo do filme.
Conclusão
A tentativa de John Wayne de se afirmar como um defensor fervoroso da causa americana no Vietnã com “Os Boinas Verdes” acabou desmascarando uma ideologia míope e ultrapassada. O filme, ao invés de angariar apoio, serviu como um lembrete do quão fora de sintonia Wayne estava com as mudanças culturais da época, consolidando-se como um capítulo controverso em sua carreira.
