Comédia Anos 80 que Ebert Detestou

Horácio T

A Comédia Adolescente dos Anos 80 que Roger Ebert Detestou

A comédia adolescente “Can’t Buy Me Love”, dirigida por Steve Rash em 1987, apresenta uma premissa peculiar. O filme é estrelado por Patrick Dempsey no papel de Ronald, um nerd desajeitado que vive ao lado de Cindy, interpretada por Amanda Peterson. Cindy é a líder de torcida popular, alguém com quem Ronald nunca se associaria em seu colégio obcecado por status social. Quando Cindy acidentalmente derrama vinho em uma roupa de camurça da mãe, Ronald oferece mil dólares para substituir a peça, em troca de ela fingir ser sua namorada por um mês. A esperança é que “namorar” Cindy aumente sua popularidade na escola.

Ronald sitting with Cindy at a cafeteria table in Can't Buy Me Love

No início, tudo parece correr bem. Cindy percebe que Ronald é um garoto doce e gentil, com uma apreciação genuína por poesia e astronomia. Entretanto, à medida que sua popularidade cresce, Ronald começa a se tornar arrogante e de coração frio. “Can’t Buy Me Love” foi um daqueles filmes que marcaram os anos 80, assistido repetidamente nas TVs a cabo ou em festas do pijama. Este filme ajudou a consolidar Dempsey como um ídolo adolescente antes de seus dias em “Grey’s Anatomy”. Contudo, apesar da nostalgia, o crítico Roger Ebert odiou profundamente o filme, afirmando que ele fazia os adolescentes americanos parecerem “idiotas e materialistas”.

Crítica de Ebert à Comédia Adolescente

Ronald next to his girlfriend and friends in Can't Buy Me Love

À primeira vista, “Can’t Buy Me Love” pode parecer uma comédia romântica leve e inofensiva. A trama propõe que adolescentes superem suas obsessões por status social e se vejam de maneira mais próxima. No entanto, para Roger Ebert, o filme promovia valores retrógrados. Em sua resenha, Ebert questiona se o filme realmente retrata a juventude americana, concluindo que reflete mais os valores materialistas dos adultos que o produziram.

Ebert criticou a representação dos adolescentes na escola como “esnobes monstruosamente cruéis” e descreveu os pais como geralmente negligentes ou ausentes. Ele argumentou que se o filme tivesse como alvo o cinismo dos valores americanos, poderia ter algo de interessante, mas o filme falha ao tratar superficialmente de questões profundas.

Comparações com Outras Comédias Adolescentes

Roger Ebert comparou “Can’t Buy Me Love” a outras comédias românticas adolescentes dos anos 80, como “Lucas”, “Sixteen Candles” e “Gregory’s Girl”, que segundo ele, respeitavam a inocência e o idealismo dos personagens adolescentes. Para Ebert, “Can’t Buy Me Love” oferecia uma visão de mundo incrivelmente sombria disfarçada de inocência.

A Valorização da Inocência Juvenil por Ebert

Ronald and Cindy laughing outdoors in Can't Buy Me Love

O cerne da crítica de Roger Ebert estava na questão da inocência adolescente. Ele acreditava que os personagens adolescentes deveriam manter um certo grau de entusiasmo juvenil pela vida. A introdução de dinheiro em transações românticas era, para ele, algo deprimente. Ebert concluiu sua crítica afirmando que, embora na sociedade as pessoas possam buscar parceiros ricos ou populares, o amor adolescente não deveria ser afetado pela ganância.

Ebert também era avesso a filmes de terror que ele chamava de “filmes de adolescentes mortos”, que, segundo ele, tratavam do assassinato de jovens sem lógica, enredo ou humor. Ele não gostava de ver adolescentes sendo maltratados no cinema para fins de entretenimento e desaprovava quando personagens adolescentes eram retratados com uma ironia adulta irrealista.

Conclusão

Filmes que abordam os horrores reais da adolescência, como “Better Luck Tomorrow” ou “Heathers”, eram mais aceitáveis para Ebert. No entanto, quando um filme como “Can’t Buy Me Love” tentava mascarar seu materialismo inerente com interações “doces”, Ebert não deixava de expressar seu desagrado. Para ele, a inocência e o entusiasmo genuíno dos jovens eram valores que deveriam ser respeitados e preservados nas narrativas cinematográficas.

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Redator e apaixonado por cultura pop em geral.